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Texto na tela: quanto cabe num vídeo vertical (e por quanto tempo)

Publicado em 5 de agosto de 2026 · equipe cut67

Legenda em vídeo vertical tem um inimigo que não é estético: o espaço. A área livre é estreita, o texto compete com a imagem, e quem assiste está rolando o dedo. Cabe muito menos do que parece no editor.

Três contas resolvem quase tudo.

Conta 1: quantas linhas

Duas. É o teto prático.

A partir da terceira linha, o bloco de texto começa a ocupar altura demais e a invadir a região onde o aplicativo desenha o perfil e a legenda do post. E há um efeito pior: bloco alto parece parágrafo, e ninguém lê parágrafo em vídeo. Duas linhas ainda se leem de relance; três já pedem atenção que a pessoa não vai dar.

Conta 2: quantas palavras por vez

Entre três e sete, dependendo do tamanho das palavras. O critério real não é contagem de palavras — é largura, e as duas coisas divergem mais do que parece.

Um exemplo do nosso próprio editor: escritos na mesma fonte de exibição, dois nomes com exatamente dez caracteres ocupam 76 e 110 pixels. Quarenta e cinco por cento de diferença, mesmo número de letras. Contar caracteres para prever se cabe é um palpite que erra em cinco de cada nove casos.

Por isso vale mais confiar no que você vê que no que você conta: se no preview está apertado, está apertado.

Conta 3: por quanto tempo

Aqui a intuição atrapalha. Você conhece a frase — escreveu, gravou, revisou. Lê em meio segundo. Quem está vendo pela primeira vez, não.

Um trecho de texto precisa ficar na tela pelo tempo de ser lido com folga, não pelo tempo de ser lido. Texto que some no instante em que terminou de ser falado é texto que metade das pessoas não terminou.

É uma das razões pelas quais a legenda automática sincronizada palavra a palavra funciona tão bem: ela não pede leitura completa. Você acompanha o ritmo da fala em vez de correr atrás de um bloco que vai sumir.

Regra de bolso: se você precisa apertar a fonte para o texto caber, o problema não é o tamanho da fonte — é o tamanho da frase.

Legenda e texto na tela não são a mesma coisa

Essa confusão custa espaço caro. São duas camadas com funções diferentes, e empilhá-las é o jeito mais rápido de perder as duas.

A legenda acompanha a fala. Ela não decide nada — transcreve, e existe para quem assiste sem som. Fica na faixa central baixa, muda o tempo todo, e é a mais importante das duas.

O texto na tela é editorial: o gancho da abertura, um dado que você quer destacar, o nome de quem está falando. Ele não segue a fala e aparece poucas vezes.

Se os dois ocupam a mesma faixa ao mesmo tempo, viram um bloco só que ninguém lê. A separação que funciona é por momento, não por posição: o texto editorial entra quando a legenda dá uma pausa, ou fica acima dela por poucos segundos e sai.

Uma pista de que a divisão está errada: se você precisa reduzir a legenda para o texto de destaque caber, é o destaque que está sobrando.

Tamanho de fonte: o número não existe

Não adianta procurar "a fonte ideal em pixels". O que importa é a proporção em relação à altura do vídeo, e ela precisa sobreviver a duas situações:

O teste honesto é afastar o celular a um braço de distância. Se você não lê, uma parte considerável da sua audiência também não vai ler.

O que fazer com frase longa

Não diminua. Quebre. Duas exibições de quatro palavras funcionam melhor que uma de oito, mesmo ocupando o mesmo tempo total.

E, na dúvida, corte palavra. Fala natural tem muita palavra de ligação que a legenda não precisa carregar — a pessoa está ouvindo também.

Vale conferir onde exatamente o texto pode ficar sem ser tapado pela interface na ferramenta de zonas seguras.

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